quarta-feira, 19 de março de 2014

Pai



E tudo em mim é gratidão


E tudo em mim é gratidão
Se em ti, meu pai
Tudo é generosidade
Os gestos desprovidos de vaidade
E o teu modelo
Que me sopra dentro d’alma
E se torna a minha palma
E o meu sangue.
Mas de tudo, meu pai
As tuas mãos, tão bonitas
Na alvura cândida do trabalho
Da perfeição e do talho
De tudo que pudeste criar.
Digam o que disserem, meu pai
Enquanto eu tiver coração
Tudo em mim é gratidão.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Desilusões

De punhos abertos, as searas morrem debaixo do cansaço.

Os grãos são memórias do verde esquecido.

Quem vier, que amanhe o que resta. Se restar.





quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Subserviência

Um político da nossa praça, fazia há dias um discurso, inflamadíssimo, num idioma que não o seu.
Inicialmente foi confundido duas vezes: no cargo e no nome. Para lá da minha assonância , da minha distância e também da minha discordância, fica o que mais me irritou: a subserviência linguística.
Nunca abdico da minha língua e quando o faço, sinto-me no patamar posterior, porque eu domino a língua de outrem e esse outrem é completamente ignorante sobre a minha " Pátria".
Ainda que eu tenha dito inúmeras vezes que a minha Pátria é o resto do mundo, o meu canto é português. Por isso, jamais falarei do meu país em outra língua senão a que os meus pais me ensinaram.
Subserviência...é por isso que o nosso País foi considerado "lixo", facto qure me provoca um desconforto mental para lá do desejável. Eu diria mesmo, insuportável.
(Desenho de Carlos Ferreira)
assonância

"assonância", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/asson%C3%A2ncia [consultado em 06-02-2014].
assonância

"assonância", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/asson%C3%A2ncia [consultado em 06-02-2014].
assonância

"assonância", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/asson%C3%A2ncia [consultado em 06-02-2014].

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Hoje estou com "hepilages"

Hoje estou com "hepilages".
O Eça, fumava pensativos cigarros através dos seus personagens, e eu, ao almoço, comia uma preocupada batata enquando a televisão se queixava, derramando notícias aflitas sobre uma quantidade de nadas insignificantes. À semelhança de Pessoa, tomei a decisão de ser eu mas logo me senti como a Espanca a querer voltar à inocência das coisas brutas, sãs, inanimadas
Como Torga, olhei noutro sentido, e pude, deslumbrada, saborear, enfim, o pão da minha fome. Não há razões ensaiadas que me façam sentir este sentir, senão a de que, disse o Ary,  todos sofremos o mesmo ferro oculto. 
Hoje estou com hepilages e isso deixa-me o estômago atarantado. Que não se queixe. A saúde está pela hora da morte, e eu, ainda quero andar por cá, a espalhar estes pensamentos de duvidosa sanidade.


 

domingo, 19 de janeiro de 2014

José Fontinhas, o nosso Eugénio de Andrade

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,                                                                          Fonte:
propor.esccb.pt
 
pelo silêncio fascinadas.                                       
19 de Janeiro de 1923- 13 de Junho de 2005
  

Eugénio de Andrade  in Obscuro Domínio





quinta-feira, 9 de janeiro de 2014