sábado, 16 de novembro de 2013

Não deve haver maior dor. Não deve haver maior sofrimento...


Está em câmara ardente uma miuda, antiga colega do meu filho mais velho.

Escrever este texto causa-me emoções contraditórias... por um lado, o desabafo, como se estivesse a pensar sozinha, dentro dos meus muros. Por outro lado, o pensar que os muros que me cercam são de vidro, daquele vidro frágil e transparente.

A ideia de morte resume-se em mim numa outra dimensão - saudade. A saudade, esse conceito tão nosso e de tão difícil tradução. Não voltar a ver. Não voltar a ouvir. Não voltar a abraçar.

Um dia, o padre Manuel disse que quando nascemos a mãe oferece-nos um berço...anos depois nós oferecemos-lhe um caixão. Doloroso será a mãe oferecer o berço e anos depois oferecer o caixão. Não deve haver maior dor. Não deve haver maior sofrimento...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A postura do Professor ou a insustentável leveza das reorganizações impostas


Irritam-me as “leis de gabinete”. O real é imaginado e o que daí advém não pode ser considerado de grande utilidade, na prática pedagógica.
Muito se têm martirizado os teclados, num exercício de escrita que apenas engorda os currículos pessoais, no sentido de provocar ascensões desmedidas, numa Carreira que, bem vistas as coisas, não usufruiu da Modernidade. Num país em que as “modas” vão chegando com algumas décadas de atraso, urge deixar de lado a importância dos grandes pensadores de Decretos e partir para a realidade que no fundo, é tão somente, dolorosa.
Para quê reorganizar o que é uma total desorganização? É como pintar uma velha casa, tapando com tinta as rachaduras, e esperar que essa mesma tinta sirva de suporte na derrocada. Melhor seria demolir – cuidar dos alicerces (família) e construir com bons materiais (professores por vocação) para que a edificação seja segura enquanto abrigo para cidadãos em construção (alunos). 
Que faremos com programas que agridem a capacidade dos alunos? Estarão adequados às faixas etárias a que se destinam? Fica a questão, assim, como se fosse uma nuvem.
Não seria de bom tom aproveitar este espaço para continuar a divagar...possivelmente acabaria por produzir alguns insultos. Não o farei sobretudo por respeito a quantos fazem o favor de me ler...

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

domingo, 27 de outubro de 2013

Lou Reed - Oh, such a perfect day, You just keep me hanging on...

«Reed foi um dos nomes mais influentes do rock, principalmente com os Velvet Underground.

As causas da morte não foram divulgadas, mas o músico tinha se submetido a um transplante de fígado em Maio.

Nascido em Brooklyn, Nova Iorque, a 2 de Março de 1942, Lou Reed fundou em 1964 os Velvet Underground com John Cale e Sterling Morrison. Ao trio juntou-se Maureen Tucker na bateria.

O primeiro álbum da banda, «The Velevet Underground and Nico», também conhecido pelo «disco da banana» devido à icónica capa de Andy Warhol, é considerado um dos álbums mais influentes do rock.

Após a saída de John Cale, em 1968, o grupo prosseguiu até 1971.

A solo, Lou Reed assinou trabalhos como «Transformer», «Berlin» e «Metal Machine Music».

Após uma travessia do deserto na década de 80, Reed regressou em grande forma com «New York», de 1989.

Nos anos 90 lançou mais dois discos: «Magic and Loss» e «Set the Twilight Reeling». «The Raven», de 2003, foi o seu derradeiro disco.

Recentemente, Lou Reed colaborou com os Metallica em «Lulu».»
Fonte: Diário Digital, 27/Setembro/2013

sábado, 19 de outubro de 2013

Devaneios II

Espero sem esperança, prostrada no significado de cada sonho.

Queria apagar o tempo, depositá-lo como o fundo da escrita dos meus escritos. Em vez disso, absorvo as palavras e faço muros de ideias que teimo em escalar.
Contudo, os meus muros não se transpõem, fundem-se na iniquidade do olhar dos dias.
 






Os meus muros não protegem: são armas de arremeço que me inutilizam o modo de controlar cada emoção.
É subtil a transparência  dos tons  dos incontidos sentires.
Permanece a leitura dos títulos da insolvência emocional, em cada abraço inventado. É a lua apertada no bolso da sonhadora, que um dia começou a diluir-se no seu pequeno mundo.

sábado, 5 de outubro de 2013

5 de Outubro - Implantação da República / Dia do Professor

Poderia este texto ser útil para os leitores se contivesse uma série de explicações sobre a importância de não se ter um rei, pela falta de democracia do facto, sobre a importância de devolver ao povo a possibilidade de ser livre e de escolher os seus líderes. Históricamente está provado que nem sempre os líderes escolhidos são adequados, mas isso é tão corriqueiramente sabido que não vou perder tempo com isso.
Estou cansada.
Hoje quero ser egoísta e gabar-me.
Quero apenas ficar a ler um livro cujo sugestivo título e fabulosa dedicatória, fizeram do dia de hoje, um dia especial. Especial porque vale a pena continuar a viver com orgulho  o 5 de Outubro, ainda que não seja pelo facto de eu não ser subdita de um rei, outrossim pelo facto de ensinar. Ensinar será a mais nobre das artes. mesmo que digam que não. Mesmo que não respeitem nem dignifiquem os docentes. Será sempre uma arte muito nobre, digam o que disserem.
Obrigada a todos os  alunos que tive.
Obrigada a todos os meus professores.
Nunca serei uma colega...serei sempre uma aluna grata pelo que me fizeram ser como pessoa.
Serei sempre alguém que muito recebeu de todos.Eu.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Devaneios

Às vezes as quimeras são como bombas impedidas de explodir pelo cansaço das mãos feitas de tréguas.
Há o trémulo sentimento esbatido na boca ensurdecida pelo segredo da noite. É como o vómito calado pelas algemas que se prefiguram na vontade de nunca ter sido.
Não sou.
Fui.
Levanto o corpo confundido pelos gritos do Outono.
Ainda há rebentos de sensações em toda a extensão da minha monotonia...solavancos de ideias cremadas na concepção.

A sirene do tempo soa e o aroma tacteia a fragilidade do que somos enquanto pensamos não ser. É como se pudessemos inverter a polaridade solitária da nossa incompreendida presença. Se há ausência, essa é uma espécie de dicotomia octogonal que a escrita arremessa à alma.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Morreu António Ramos Rosa aos 88 anos




Vivi tanto
que já não tenho outra noção
de eternidade
que não seja a duração da minha vida

(Em Torno do Imponderável, 2012)





Fonte:Publico.pt 

Não posso adiar o amor para outro século

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

(O Grito Claro, 1958)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Mais um... até quando?

"Morreu o bombeiro que estava internado desde 29 de agosto, depois de ter sofrido queimaduras graves quando combatia as chamas em Sanfins. Pertencia à corporação dos Bombeiros Voluntários de Valença. É o sétimo bombeiro a perder a vida no combate aos incêndios este verão."

Fonte: Sic Notícias