Hoje debrucei-me sobre os ruídos ou barulhos. Diferente é pensar em sons, pelo menos para mim. Carrego no sentir positivo ou negativo de acordo com o que sinto.Será portanto barulho ou ruído tudo que me desagrade e som toda ou qualquer emissão que percebo através do ouvido desde que não me perturbe minimamente.
Ponho por escrito o que de facto me incomoda sobremaneira: o barulho (ou ruído) das sirenes. Angustiam-me os tons intermitentes daquele azul desassossegado. Sufoca-me ainda que nem sequer saiba QUEM está e como está, enlatado no furgão amarelo ou branco. Irrita-me não poder minorar a aflição dos outros. Aflije-me esta sensação de ser impotente perante o sofrimento.
Também me incomodam os gritos. Perturba-me o conteúdo daquelas reportagens que ou/vemos na TV... aparecem sempre aquelas senhoras histéricas, aos gritos, ainda que o assunto não lhes diga respeito. Não as culpo a elas mas a quem lhes fornece gratuitamente, tempo de antena.
Há sons e barulhos que se misturam e acabam por me perturbar por outros motivos: determinadas vozes, o choro compulsivo.
Não sei se este exercício de pensamento é saudável. Há uma semana que não coexisto com as minhas coisas e hoje, ainda que a palavra mãe continue a ser a mais importante, a pequena luz da esperança iluminou a obscuridade dos meus pensamentos e permitiu-me por alguns instantes, divagar.