sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Saudade ...mais uma saudade

Ás vezes permaneço absorta, em busca de explicações para explicar o inexplicável.
O ser humano julga-se o ser supremo, o criador da evolução e o senhor da modernidade. Sente-se portanto superior.

Gostava de entender como é possível não respeitar a dignidade dos outros seres vivos, como é possível magoar ou matar aqueles que nos acompanham e nos dão GRATUITAMENTE o seu afecto: os animais que levamos para casa, que acolhemos ou os de que nos servimos para melhorar a nossa vida... e pensando nisso vem a lágrima teimosa e inconveniente, salpicar-me o rosto de todos os dias.

Antes de ontem morreu mais um dos bichinhos que me acompanham quotidianamente. Tenho a certeza de que gostava de mim. Gostava de ficar na minha mão a receber mimos e respondia sempre ao meu chamado. Menos antes de ontem...
Era um rato fêmea. O meu rato. O rato que a minha família acarinhou. Tenho pena, muita pena dela. Tenho saudade e  a saudade é o mais doloroso de todos os sentimentos...



terça-feira, 28 de agosto de 2012

José Cid e eu



Hoje fui ver pela primeira vez, o José Cid ao vivo (e a cores). Lembro-me de não o apreciar no auge da sua carreira, ou seja, na minha juventude. Naquela época eu gostava era do Zeca Afonso, do Sérgio Godinho e do Fausto. Gostava de canções de intervenção. Tudo que fosse popular, que entrasse facilmente no ouvido do povo, não entrava no meu coração.

Ouvia Joan Baez, Queen, Pink Floyd, Lene Lovich, Kate Bush, Melani Safka, Pink Floyd, Dire Straits, Scorpions, Nina Hagen, Bob Dylan, Peter  Gabriel, Marillion.
Tentava descobrir novas vozes nos discos de vinil dos meus amigos. A musica era uma espécie de álibi para sufragar as coisas más dos dias menos bons.

Hoje fui ver o concerto das festas da cidade, cujo cabeça de cartaz é José Cid, nome artístico de José Albano Salter Cid Ferreira Tavares, nascido na Chamusca em 1942.
A ideia era ficar uma ou duas canções... mas fui ficando e...gostando. Surpreendentemente eu sabia todas as letras e com facilidade acompanhei o cantor, trauteando baixinho cada melodia. Fez um espectáculo leve, apresentou outros talentos que o acompanham, fez um dueto com José Perdigão...

O tempo passa por nós ou nós por ele...há quem creia que o tempo é sempre o mesmo.  Sofremos metamorfoses com o avançar da idade.

Gostei do concerto. Dei conta de que o José merece todo o meu respeito pela tenacidade, por continuar a compor, enfim, por me ter feito recordar coisas. Esta é a forma de lhe agradecer.






quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Estória / História

Tenho estado calada, deixando apenas que um colóquio se vá desenvolvendo no silêncio dos meus pensamentos. 
Têm partido seres únicos que inevitavelmente são insubstituíveis. Procuramos em vão "sósias" que possam continuar a dar o que recebemos desses seres especiais.
Deixou-nos há poucos dias o Professor José Hermano Saraiva. Sui generis, único na sua capacidade de nos contar estórias da História, prendia-nos de tal forma que sentíamos vontade de ficar ali... 
Ás vezes vagueio na Internet em busca de qualquer coisa que me prenda uns segundos e me deixe fazer parte de outros sentires. Descobri este menino, com cinco aninhos e achei maravilhoso.
Que diria o nosso saudoso Professor se o tivesse ouvido?




terça-feira, 31 de julho de 2012

Abraço os dias

Abraço os dias
Semi-adormecida
Pela esperança.
Afago a fuga
Inútil e vã
Da paranóia.
É noite e finjo
É dia (enlouqueço)
Fugaz vitória
Sobre mim mesma.

(Julho de 1990)

Abraço os dias
Semi-adormecida
Pela esperança.

(Julho de 2012)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Motivação


Motivo
Motivos
Motivos são...

Que importa o porquê de tudo se tudo é obviamente a motivação por nada? Antes de Tudo, existiu o Nada ou a eternidade é infinitamente infinita.
Onde cabe o finito senão na motivação?
Motivo.
E motivo? Emotivo é o motivado que motiva a motivação.

Motivação?

Motivo
Motivos
Motivos são...



Texto presente na Fábrica de Letras.

sábado, 23 de junho de 2012

Estranho é pedir abraços....


Hoje fui a Santiago de Compostela. Não usei os caminhos correctos, aqueles trilhados por gente de fé, feitos levando o corpo sobre os pés. Fui de carro e o que é pior é que fui pela autoestrada.

A cidade carece de informação que nos permita chegar à catedral. É uma cidade limpa e hoje estava particularmente cheia de luz...mas... não conseguia chegar ao meu destino. Bastantes pedidos de informação depois, lá consegui uma aproximação do lugar. Nuestros hermanos não nos entendem, também não percebo porque razão, uma vez que o galego é similar ao português. Adiante.
Uma vez no santuário fiz a minha visita, respeitando os trâmites da tradição: abraçar o santo pelas costas. 

Fascinante a magnitude arquitectónica!  Reza a história que o início da sua construção aconteceu por volta de 1075 o que nos deixa perplexos dada a fraca capacidade tecnológica da época...

Tudo isto se esbateu na minha mente com o que me aconteceu à saída: estava um jovem plantado no meio da escada a pedir (pasmem) abraços... 

" Dame un abrazo que no te pido dinero". 

Sem pensar duas vezes, instintivamente, abracei o estranho... nem me passou pela cabeça que me poderia agredir, roubar ou infectar com uma  doença qualquer. Porque estaria a fazer aquela coisa estranha que é pedir abraços na escada de uma catedral? Também lá estava uma senhora a pedir esmola, com a boca repleta de dentes de ouro...mas isso não me pareceu estranho! 


Estranho é pedir abraços....  quando me afastei fiquei a observar o rapaz...coitado, ninguém o abraçava...

sábado, 16 de junho de 2012

Talvez....


(Talvez um dia chova...
chuva de gotas livres
e os braços doridos
hão de refrescar
deste sufoco de ausências...)


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Desliza-me a alma

Desliza-me a alma
debaixo de pedras
inventadas
tão pesadas...
Em vez de sangue
suor exangue.
nas madrugadas.
Desliza-me a alma
nas noites caladas
aperta-me o peito
como um defeito.




segunda-feira, 11 de junho de 2012

Flores que os meus olhos escolheram



Fica tão bom usar os sentidos, simultâneamente... é uma sensação de plenitude.

É um  lugar comum falar de flores... as que vos apresento não são todas do meu quintal... mas fui eu que as escolhi.

sábado, 9 de junho de 2012

Diário de Bordo IX - o derradeiro desta jornada

De volta a "casa" retomámos o tema da fotografia a preto e branco.
Ontem ampliámos algumas fotografias de grupo.  O tempo de exposição à luz (do papel) é crucial e por isso os produtos obtidos estão eventualmente aquém do desejável. Falta a prática quotidiana para melhorar resultados...mas fomos corajosas...fechadas na câmara escura, à mercê da nossa memória, aplicámos o que o Brilhante nos ensinou... e os resultados foram quase óptimos...

Deixo a foto de família, onde  obviamente devia estar o nosso formador...mas se assim fosse, quem bateria a fotografia?





Gosto de fazer as coisas bem feitas, infelizmente são raras as vezes que consigo aproximar-me do ideal da perfeição que mora comigo.
Hoje consegui melhorar a composição de fotografias para elaborar uma panorâmica.